quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

...lições...

...decididamente parece-me oficial o facto de não existirem acasos. Concluo pelos últimos acontecimentos da minha vida que o que pode parecer um acaso pode muito bem ser simplesmente uma lição de vida. Grande lição! Embora só à muito pouco tenha tomado consciência da verdadeira dimensão, e só porque mexeu com os meus mais profundos sentimentos. Primeiro fiquei triste, depois descobri que ao fim ao cabo isto era uma aprendizagem. Mais tarde ou mais cedo as nossas acções têm consequências, há por ali um intervalo, uma espécie de período de julgamento e lá vem a sentença. Proferida pela vida e disposta a tudo para que percebamos a lição, não necessariamente da forma mais fácil. Talvez para que não esqueçamos!
Mais uma rasteira subtil da vida, mais um acaso que não foi ao acaso! Foi uma grande lição, foi colocar-me estrategicamente perante o outro lado da barricada, foi fazer-me ver ao perto o sofrimento de alguém a quem fizeram o mesmo que eu já fiz. Foi mostrar-me os danos colaterais das nossas acções. Foi por-me frente a frente e obrigar-me a ver e principalmente a sentir. Foi provar-me, ao vivo e a cores, o cinza que também eu espalhei. E ainda me pregou uma partida maior, fez-me perceber que à conta do cinza que por vezes espalhamos, outros não podem colorir! Porque enquanto a tela não voltar a branco não há cor que consiga por ali ficar.Porque a arte tem regras. Porque a arte está em tudo, até na forma da vida nos ensinar, por mais manhosa e traiçoeira que nos pareça. Porque hoje sou eu que estou a precisar de cor, porque ainda tenho de pôr-me a branco e digerir esta cinzenta mas ,se calhar ,merecida lição...

..viagens..

..lua cheia, companheira de uma viagem que poderia parecer longa mas que na verdade passou a correr, arrisco dizer que passou à velocidade dos meus pensamentos. Gosto de fazer viagens sozinha, deve ser por isso que trabalho tão longe de casa. Já não consigo equacionar a minha vida sem estes momentos, sem este espaço de retiro! Eu, o rádio, a paisagem e, claro está, os meus pensamentos! É neste percurso que organizo os meus pensamentos, melhor que uma qualquer consulta de psicólogo. Aqui baixo todas as barreiras e sou só eu e os meus mais profundos pensamentos. Já ri, já chorei, já gritei, já tudo. É a liberdade de poder ser só eu sem mais nada. Nem sei explicar mas na verdade as grandes decisões da minha vida foram tomadas ao volante.
Esta foi só mais uma viagem, um bocadinho mais comprida que o habitual, com mais tempo para pensar, com a emoção à flor da pele. Começou calmamente, com pouca vontade de abandonar um abraço. Mas devagarinho e ainda a saborear lá me pus a caminho. Primeiro veio o momento da risota, passo por uma localidade chamada "palhaça" e penso que sítio indicado para eu viver. Depois penso que afinal não quero ficar na "palhaça", afinal uns bons quilómetros à frente passo pelo "amor", apeteceu-me ficar por lá e ligar a toda a gente a dizer que finalmente encontrei o "amor". Não o fiz, embora tivesse a sua graça. Depois houve uma nostalgia que decidiu tomar conta de mim, um turbilhão de emoções e uma lágrima decidiu alojar-se no canto do olho, por nada em especial e por tudo! Essencialmente por me recordar de um olhar, talvez inconsciente, mas profundamente triste. Um olhar disfarçado por um sorriso fantástico, mas lá. Um vazio que quase não consegui enfrentar, um vazio que não posso colmatar. Este foi o pensamento que me acompanhou no resto da viagem, a recordação do teu inconsciente olhar triste. Cheguei a casa a sentir que conseguia conduzir por muitas mais horas, por pensar irracionalmente que isso me poderia ajudar a encontrar uma solução para esse teu vazio. Claro que fiquei por casa, não segui viagem, por mais longe que fosse não encontraria a resposta, não conseguiria solucionar esse olhar que me deixou com uma lágrima no olho. Por mais que quisesse sei que a resposta, a solução está somente em ti e que um dia a vais encontrar, e que restará o sorriso fantástico que apaga tudo o resto. Apesar de saber isso ainda fui procurar se algures existia alguma localidade chamada "magia", mas não encontrei, queria convidar-te a passar por lá, embora saiba que nem um passo de "magia" pode apagar o "amor". Ver se encontro alguma chamada "felicidade" ou algo semelhante, prometo que te ensino o caminho, basta quereres, basta acreditares....Porque se a vida é uma viagem há muitas localidades, muitos caminhos, basta segui-los, procurá-los, encontrá-los...

..descompressão..

..porque lutar entre o racional e o irracional é uma dura batalha, uma louca guerra entre as emocões e o agir, entre o que se pode e o que se quer, porque no final preciso de verter uma lágrima onde tento entender que nem sempre tentação pode falar mais alto, nem que seja pelo facto de ter de ser racional, porque sei que tenho essa capacidade, porque mesmo com uma lágrima sou capaz, sei que sou....




..raio de sol...

..emoções, sonhos, expectativas e realidade! Grande confronto. Se há vencedores e vencidos? Talvez, mas entre os sonhos e a realidade temos de ter noção de que para a história contam os factos, é a realidade que fica! Os sonhos também ficam, mas guardados em nós, foram expectativas que muitas vezes não chegaram para serem realidade, mas é justo que não nos esqueçamos que se sonhámos provavelmente não foi acaso, pode ter sido desejo.
Em sonho tive a presunção que poderia ser o sol! Grande presunção a minha, há expectativas que não se ficam por menos e a sonhar podemos tudo! Na verdade não sou o sol, mas também não estou a uma distância enorme, sou um bocadinho de sol: um raio de sol. É a diferença entre o sonho, a expectativa e a realidade.
Uma realidade que me foi mostrada por alguém que adoro e que me dedicou um lindo texto onde me chamou isso mesmo: raio de sol. Comoveu-me e fez-me perceber a importância de iluminar o caminho. Foi este sentimento que me ajudou a perceber que posso não ser o teu sol, o astro rei, mas se por instantes iluminar o teu caminho, a tua vida e proporcionar-te o calor e o sorriso que só um raio de sol proporciona, só isso é um orgulho, aqui estarei. Disposta, como nos dias de inverno, a romper por nuvens cinzentas e a chegar até ti, sempre! Porque mesmo quando não vislumbramos o sol há um pequeno raio de sol que teimosamente chega até nós, um resistente que nos aqueçe a alma. Se sou um deles que posso sentir senão orgulho!

..abraços...


Quando vimos este vídeo pela primeira vez rimos, grande louco! Na verdade é dos movimentos mais geniais de todos os tempos. Apesar de não ser original já me apeteceu fazê-lo inúmeras vezes! Adoro abraços! Hoje mal te vi apeteceu-me imediatamente dar-te um, daqueles bem apertados. Porque não o fiz? Porque egoistamente apeteceu-me que fosses tu a abraçar-me, como se um abraço não fosse recíproco. Lutei com esta vontade até à hora da partida.Pensado que já não havia lugar ao abraço! No rádio passava o "miles away", realmente as mùsicas às vezes dizem tanto. So close & so faraway! Tantas milhas emocionais, estados tão diferentes que se conseguem somente encontrar num estreito e apertado abraço honesto! Um abraço que vale por tanto, um abraço que pode ser tão pouco e tanto. Um abraço para lá das milhas e dos desejos, somente um abraço, um tão desejado abraço...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

..tenho saudade...

...saudade! Tema tão discutido como o amor, tanto se escreve sobre este nobre sentimento, tanto...e, no entanto, só parecemos entender a sua dimensão quando a sentimos. Já vivi com saudades de sentir saudades! Hoje quase que tenho saudades desse tempo.O tempo em que havia um vazio de sentimento que hoje é preenchido por este sentimento, por esta saudade . A saudade que outrora vinha e voltava hoje vive em permanência, instalou-se! Para ficar quanto tempo? Pergunto eu. O tempo que tiver de ser, o tempo de manter viva a recordação de um momento bom, é esse o tempo da minha saudade, o tempo que já me parece longo, o tempo de um momento de há tanto tempo, e que parece cada vez mais presente. Tenho saudade...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

..promessas..

Mais uma noite fria de inverno, a chuva cai intensamente lá fora, estou confortavelmente aninhada no sofá. Um conforto físico que não levanta suspeitas, contudo há aqui um sobressalto. Enquanto o corpo repousa a cabeça não pára por um segundo. Uma luta, um desejo, um querer, um querer e não poder! Um confronto levado ao extremo das capacidades. Agarro pela décima vez no telefone. Mais uma vez o atiro para longe, o mais longe do meu alcance. Tento distrair-me, em vão, e nem de propósito toca aquela música. Será um sinal? Quero convencer-me que não, mas lentamente quase que por magia o telefone parece mais próximo. Não aguento! Também não sou perfeita, se calhar sou mesmo é chata! Vou quebrar uma promessa, vou fazer jus àquela máxima que diz: "promessas leva-as o vento", parece que vou. Nem é a promessa de ligar ou não ligar, é o facto de ter a certeza de que se ligar vou falar num assunto que tinha prometido a mim mesma não falar. Prometi-o por achar que não é justo insistir, por achar que não pode estar só na minha mão, por achar que se outrem quiser vai ter de querer porque quer e não porque eu quero. Porque estes são princípios básicos de educação e sobrevivência. Claro está que quebrei a promessa! Fiquei um nadinha triste com a minha falta de racionalidade, logo eu que tantas vezes ponho a emoção de parte. Quebrei-a num laivo de honestidade, de querer, esquecendo-me que para este querer não basta somente o meu desejo. Quebrei a promessa e vou retirar uma qualquer lição desta minha acção, o tempo vai dizer-me se fiz bem ou mal. Mesmo tendo a perfeita noção de que as promessas não são para se quebrar, quebrei-a...